MPT 2013

A Associação de Professores de Matemática tornou-se parceira nesta iniciativa conjunta do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito das várias atividades que estão a ser desenvolvidas.

 

A MATEMÁTICA DOS NOSSOS AVÓS

 

 


 

“As ideias matemáticas existem em todas as culturas humanas, nas experiências de todos (…) os grupos sociais e culturais, tanto homens como mulheres”

Paulus Gerdes, 2007

 

Essas ideias estão também presentes nos bordados guardados na gaveta, na construção de estranhos artefactos que eram utilizados (e que não me recordo o nome!), no artesanato, na medição de terrenos agrícolas, em ofícios que tem tendência a diluírem-se nas memórias de “antigamente”!

O que sabemos sobre a vida e hábitos dos “nossos avós”? O que nos dizem as nossas memórias sobre as tradições da zona em que vivemos? E se a Matemática nos avivasse esse conhecimento e lhe atribuísse significado na aprendizagem?

O projeto “E se a Matemática transformasse a minha Terra na Capital do Universo” foi implementado em Trás-os-Montes e Alto Douro e valoriza a identidade cultural desta região ao tornar visível a Matemática implícita.

 

 


 

 

E SE A MATEMÁTICA TRANSFORMASSE A MINHA TERRA NA “CAPITAL DO UNIVERSO”?*

(*singela homenagem ao algebrista José Morgado Júnior, natural de Pegarinhos)

 

Trás-os-Montes e Alto Douro é uma região do interior do nosso país com especificidades próprias. Enquanto agentes da educação, neste cenário, preocupamo-nos em encontrar estratégias que contribuam para o sucesso dos jovens da região na aprendizagem da Matemática e no seu desenvolvimento integral como cidadãos.

Nesta região, para além das dificuldades na aprendizagem da Matemática idênticas às reconhecidas a nível nacional, existem outras resultantes de características geográficas e sócio-culturais desta região do nordeste português. A experiência concreta no terreno permitiu-nos identificar certos elementos comuns nestes alunos, a saber: um certo distanciamento entre a Família e a Escola, marcado por algum desinteresse e desvalorização do papel da Escola por parte da Família e a participação ativa, intensa e (muitas vezes) dura desses jovens nas tarefas domésticas e nos trabalhos rurais (por exemplo, tratar das terras e dos animais). A realidade desta região do nordeste impeliu-nos a criar e adaptar estratégias específicas que tivessem em consideração estes alunos.

Neste sentido criámos um projeto que pretende aproximar os três pólos, Escola – Família – Comunidade, através da Matemática, constituindo-se cada aluno como um pequeno, embora essencial, elo de ligação. Delineámos e implementámos um projeto que envolveu cinco escolas básicas e secundárias da região. Identificámos, explicitámos, interpretámos e registámos processos matemáticos utilizados em atividades artísticas, culturais e profissionais da região (inseridos nas competências matemáticas dos ciclos) e construíram-se recursos didáticos que os ilustram e possibilitam a sua divulgação.

O link deste projeto financiado pela Ciência Viva (CV6 – Nº 771) constituiu-se como um desses materiais e foi elaborado com o objetivo de constituir memória futura do trabalho desenvolvido por alunos e professores no âmbito deste projeto, e de poder servir de ponto de partida para a adaptação ou replicação nesta e noutras regiões do país.

O projeto foi divulgado a vários níveis diferentes, através de meios de comunicação social, junto de escolas da região e em encontros científicos nacionais e estrangeiros. Em ambos os casos o projeto foi acolhido com apreço e entusiasmo. Foi sempre feita referência aos apoios comunitários e à nossa instituição, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Departamento de Matemática) que sempre nos apoiou.

 

Vila Real, 12 de abril de 2013.

Investigador responsável: Cecília Costa

Equipa do Departamento de Matemática da UTAD: Mª Manuel Nascimento e Paula Catarino